Antevisão e análise ao Campeonato SABSEG por Sérgio Oliveira

O arranque do Campeonato SABSEG não poderia ser mais emotivo, com União de Lamas e Fiães a medirem forças já este sábado, no Comendador Henrique Amorim. A expectativa para este campeonato em relação aos lamacenses é alta. Pela história mas, sobretudo, por contarem nas suas fileiras com os dois melhores marcadores das últimas edições do SABSEG, Mário e Joca. Apesar de algumas saídas importantes, a equipa de Ricardo Nascimento vê-se «obrigada» a discutir o campeonato até à última jornada. Do lado do Fiães – e apesar da prestação na Taça PECOL – prevê-se algo melhor em relação à época anterior. A equipa do Bolhão soube contratar e, se tudo correr dentro do expectável e de acordo com qualidade individual dos jogadores, teremos um Fiães forte esta época.

Já o São João de Ver de Ricardo Maia passou de um candidato, em anos anteriores, ao principal candidato esta época. Isto porque, além de manter um treinador de qualidade inegável, dá a sensação de que os malapeiros contrataram quem quiseram. Por outro lado, o Estarreja apresenta-se com um plantel jovem e com atletas oriundos de divisões inferiores. Penso que poderá ser um ano «perigoso» para o conjunto estarrejense. Veremos se é o suficiente para que o clube responda com pompa e circunstância aos pergaminhos que ostenta no distrital aveirense.

Alcançando o último bilhete de regresso ao Campeonato SABSEG e, possivelmente, com um dos orçamentos mais baixos do campeonato, o Atlético Clube de Cucujães manteve «apenas» a base do ano anterior. Num campeonato mais exigente, creio que a formação de Hugo Gonçalves terá grandes dificuldades naquele que é o seu objetivo primordial, a permanência. Em contraponto, o campeão em título da 1.ª Divisão Distrital, São Vicente Pereira, para além de manter o «núcleo duro», foi repescar jogadores de tarimba e conhecedores profundos deste campeonato. Perspetiva-se que a equipa de Adriano Machado – que tão bem conhece os cantos à casa – possa ser uma agradável surpresa deste campeonato.

Já o Carregosense, depois do «susto» vivido na época anterior – maior se tornou depois de ter feito um investimento um pouco mais sério –, parte para este campeonato com o objetivo da manutenção em mente. Todos sabemos o quanto é difícil jogar em Carregosa e Mickael Amaral terá de se valer a sério dessa tradição. A viver uma realidade totalmente diferente dos últimos anos está o despromovido Cesarense. Com um plantel extremamente jovem, desengane-se quem pense que a equipa do Mergulhão é candidata. Porém, Nelson Pinho poderá, aqui e acolá, fazer-se valer do protocolo de cooperação que existe com a Oliveirense, da 2ª Liga. O despontar de jovens talentos espera-se e a distância do céu ao inferno poderá estar na vontade de mostrarem valor.

Também com uma aposta clara na juventude, prevê-se que o Alba tenha maior dificuldade em igualar o registo das últimas épocas. A saída de alguns jogadores nucleares pode ser vista como algo negativo mas, no meu ponto de vista, considero a saída de Hugo Oliveira a maior baixa dos albergarienses. Não foram só sete temporadas ao leme do conjunto de Albergaria-a-Velha; foram anos consecutivos de boas prestações!

Uma também boa prestação é o que se espera – novamente – do Bustelo, de Miguel Oliveira. Igualar o segundo lugar da última época é difícil, ainda para mais quando se vê partir a dupla de centrais e o melhor marcador. No entanto, face à qualidade do treinador e jogadores que compõem o plantel, «exige-se» o top 5 à equipa do concelho de Oliveira de Azeméis.

De regresso à Elite aveirense estão o Canedo e a Ovarense. Se por um lado ambas as equipas coincidem com o dilema de descerem no seu ano de «estreia», o mesmo não se passa na forma como projetaram a época 2019/2020. A turma de Ovar manteve a estrutura base e viu entrar jogadores com provas dadas neste campeonato. É expectável que a Ovarense consiga romper com o historial de subidas e descidas consecutivas e que o fator casa seja, uma vez mais, determinante nas aspirações dos vareiros. Já o Canedo, com uma política drástica, reformulou por completo o plantel. Os indicadores da pré-época não foram os desejáveis, mas penso que Miguel Rapinha tem matéria-prima para fazer mais e melhor.

O Avanca contratou o treinador campeão, Cajó. Por si só, poderia, eventualmente, querer dizer algo mais quanto às aspirações da Atlética. Porém, e à semelhança da época anterior, existirá «apenas» um trabalho de continuidade. Tem jogadores e treinador para navegar em águas tranquilas na tabela classificativa. Outra coisa não se espera.

Na mesma toada se espera a prestação do Paivense que, com maior dificuldade na captação de jogadores devido à localização geográfica, conseguiu manter a estrutura da equipa e o treinador, António Correia, que vai para a 11.ª época ao leme da equipa! Ao manter a bitola da segunda metade da época passada, e pelo facto de ter jogadores experientes e um treinador de qualidade, será novamente uma equipa a ter em conta neste campeonato.

Já o Oliveira do Bairro viu-se forçado a formar um plantel praticamente novo. E se, inicialmente, o objetivo era simples (superar o 8º lugar da época anterior) penso que, neste momento, o grande objetivo dos Falcões do Cértima, orientados por Hernâni Tomás, passa, essencialmente, por garantir a manutenção o mais rápido possível.

Em Pampilhosa espera-se novamente uma equipa a ter em conta e que se intrometa nos lugares cimeiros. O projeto volta a ser ambicioso e conta no seu plantel com jogadores de qualidade, aos quais se junta João Pedro, um treinador jovem com vontade de se afirmar na Elite de Aveiro. Penso que os «ferroviários» são candidatos!

Em Esmoriz, ainda antes do campeonato arrancar, já existiram alterações na equipa técnica; sai César Pinho, entra Migueli. Com um plantel fragilizado em relação à época anterior, a formação da Barrinha traçará objetivos díspares daqueles que já teve noutros anos. Neste caso, a fuga à despromoção.

Já o Gafanha – que chega do Campeonato de Portugal – denotou alguma dificuldade em formar o plantel para a época de regresso às lides distritais. Com a exigência, a qualidade e a evolução do Campeonato SABSEG, será mais um candidato na fuga aos lugares ingratos da tabela.

Sérgio Oliveira
(Pirata)

6 de Setembro de 2019
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