O Outro Lado: As "mãos de ouro" de Manuel Marques

Aos 90 anos, Manuel Marques ainda olha para o Oliveira do Bairro SC com o mesmo carinho de quando, há mais de quatro décadas, chegou ao clube para desempenhar a função de motorista. Entretanto, tirou um curso de massagista e há quem o apelide de “mãos de ouro”, um título que o deixa “babado”, sobretudo por sentir estar a dar o melhor de si pelo clube do coração. “Enquanto tiver forças, vou lutar sempre por ele”, garante.

Vai fazer 45 anos desde que Manuel Marques chegou ao emblema oliveirense. Na altura, era ele quem levava as equipas do Oliveira do Bairro SC um pouco por todo lado. Fê-lo até aos 65 anos, quando decidiu tirar um curso de massagista. Aprendeu alguns truques com o tio, que era enfermeiro, e desenvolveu uma fórmula que, não sendo milagrosa, tem tido resultados muito promissores. “Tenho uma maneira especial de fazer o trabalho, adaptada a mim, mas sei o que faço. Aplico um produto meu, que sou eu que faço, e aquilo resulta. Sejam mialgias ou cansaço, os jogadores não se queixam mais”, conta.

Na juventude, foi basquetebolista de Sangalhos e Benfica e cumpriu várias Voltas a Portugal como diretor. Ainda assim, ninguém lhe arrebatou o coração quanto o Oliveira do Bairro SC, “o clube da minha terra” como gosta de dizer, e pelo qual dá sempre o melhor de si. Atualmente, é massagista dos juvenis e dos juniores e faz parte do staff da equipa principal. Aos mais novos, gosta de lhes dar conselhos e de os ajudar no que lhe for possível. “Se alguém precisar, sou capaz de lhe dar o equipamento. Vivo da minha reforma, mas se precisarem de umas botas eu compro. E fico bem”.

Manuel acredita que, fazendo o bem, terá a devida recompensa. “Às vezes, compro uma raspadinha, e se gasto 20 euros calham-me 40. Há alguém que nos governa e que nos ajuda por sermos bons”, diz. Garante não ter inimigos e sente-se ofendido quando lhe perguntam “quanto é?”. “Faço o bem e tenho a recompensa disso”, responde de pronto.

No dia do 90.º aniversário, Manuel Marques, juntamente com um amigo, comprou leitão e frango churrasco e juntou o plantel sénior do Oliveira do Bairro SC para o celebrar. “Eles ficaram contentes. Abraçaram-me e deram-me uma camisola”, conta, prometendo que, “enquanto for vivo, a dedicação ao clube e aos meus meninos nunca vai mudar”. “Só quando Deus me levar é que acaba”, garante.

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Oliveira do Bairro SC

5 de Junho de 2021
Rui Santos
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