"Crónico" Tiago Reis foi o MVP da zona sul da 2.ª Divisão Distrital

Depois de ter sido o melhor marcador da edição 2018/2019 da 2.ª Divisão Distrital, Tiago Reis, avançado da UD Bustos, voltou a destacar-se na prova, ao ponto de ter sido o jogador mais votado pelos capitães das 18 equipas que participaram na zona sul da competição, tendo ainda sido o nome mais vezes eleito para o prémio MVP. “O Tiago Reis é um crónico deste campeonato”, salienta Laurindo Filho, técnico que iniciou a época na AD Paredes do Bairro, a quem causa alguma estranheza não ver, no 11 do Ano, qualquer representante do líder da prova aquando da sua suspensão, a AD Valonguense. “Ela tinha um plantel muito homogéneo e pode tornar-se difícil escolher um jogador que se tenha destacado mais. Esta pode ser uma explicação plausível para isso ter acontecido”, explica.

Após ter superado a barreira dos 40 golos há duas temporadas, não se pode dizer que Tiago Reis tenha arrancado a última época de uma forma propriamente auspiciosa. À 15.ª jornada, levava “apenas” seis golos apontados, um registo que o deixava longe do topo da tabela dos artilheiros do campeonato. Só que, a partir daí, o avançado arrancou para uma série concretizadora impressionante, que o atirou para o primeiro lugar da lista dos melhores marcadores da zona sul, com 19 golos, antes de o campeonato ser cancelado. “Os resultados do Bustos começaram a aparecer a partir do momento em que o Tiago Reis também começou a aparecer. Este prémio não é nada de surpreendente”, refere Laurindo Filho, que vê no goleador talento para outros palcos. “Nunca trabalhei com ele mas, em termos de qualidade jogo, poderia competir no Campeonato SABSEG”, garante.

O avançado da UD Bustos foi o MVP da zona sul da 2.ª Divisão Distrital e um dos três representantes do clube do concelho de Oliveira do Bairro no 11 do Ano. Os restantes são o guarda-redes João Silva e o defesa Valter. O primeiro alcançou o mesmo número de nomeações do que Diogo Neves, guardião da JuveForce, mas o facto de João Silva ter sofrido menos golos no campeonato fez a balança pender para o seu lado. Quanto a Valter alcançou o mesmo número de nomeações do que Luizão e Guilherme, ambos da Juve Force. A este trio junta-se Marco João, da AR Aguinense, naquela que foi uma das vagas mais disputadas da equipa ideal desta época. É que o central do emblema de Aguim recebeu tantos votos quanto Rafael Quintas, do GD Mealhada, Rafael Oliveira e Daniel Figueiredo, ambos da AD Valonguense. Como nenhum deles foi nomeado para MVP do ano, foi aplicado o segundo critério de desempate, o número de golos marcados. Marco João, com seis remates certeiros, superiorizou-se à concorrência.

No meio-campo, Filipe Simões (JuveForce) e Pedro Souza (GD Mealhada) têm a companhia de Ruben Matos, médio da ADCF Santo André, que terminou o campeonato na antepenúltima posição. “A classificação nunca é mentirosa, mas muitas vezes os pontos conquistados não refletem aquilo que é o jogo jogado”, lembra Laurindo Filho, que vê nesta nomeação “o reconhecimento, por parte dos capitães, de que na parte inferior da tabela havia jogadores que mereciam destaque”. Tanto que Ruben Matos foi o segundo atleta mais mencionado para o prémio de Jogador do Ano, com três votos, menos dois do que Tiago Reis. “Na metade inferior da tabela classificativa encontram-se jogadores com tanta ou mais qualidade e potencial do que em equipas da parte superior da mesma. Depende da forma como as pessoas querem ver as coisas”, acrescenta o treinador.

O ataque, para lá de Tiago Reis, conta ainda com João Ferreira, do GD Beira-Vouga, e Cristiano Pires, que “fez muitos golos pelo Mealhada”. Ainda assim, o avançado dos ‘bairradinos’ teve de sair por cima de um desempate com Zamorano (AD Valonguense) e Gonçalo Gonçalves (UD Bustos). Valeu-lhe o facto de ter sido nomeado por uma vez para o prémio de MVP do campeonato, algo que os seus oponentes não conseguiram.

O estranho caso do líder sem nomeados
Um dos pormenores que salta imediatamente à vista na análise ao 11 do Ano da zona sul da 2.ª Divisão Distrital é a ausência de representantes do líder da prova, AD Valonguense. O mistério adensa-se quando se percebe que o clube de Valongo do Vouga foi o mais mencionado nas votações dos capitães de equipa, com 13 jogadores do plantel a receberem um total de 41 nomeações. A UD Bustos foi quem mais perto ficou deste registo, com 40 nomeações, mas espalhadas por apenas dez atletas.

Uma das explicações para este facto pode estar, precisamente, na dispersão dos votos por vários jogadores, em vez de se centrarem num núcleo mais restrito. “O Valonguense era um conjunto muito forte e experiente, mas, se calhar, não tinha aquele jogador que era o artista que fazia andar a equipa”, avança Laurindo Filho, que, ainda assim, não esconde ser “pouco usual que o 11 mais votado não tenha ninguém do líder”.

Aliás, no seu 11 do Ano cabem dois atletas da AD Valonguense, o guarda-redes Diogo Melo e o médio Alex Nogueira. Valter (UD Bustos), Luizão (JuveForce), Filipe Simões (JuveForce), Tiago Reis (UD Bustos) e João Ferreira (GD Beira-Vouga) manteriam o seu lugar, mas as restantes vagas seriam ocupadas por João Freitas (GD Mealhada), Vítor Maroni (AD Paredes do Bairro), Marcos Júnior (AD Paredes do Bairro) e Diogo Rocha (GD Mealhada).

O 11 do Ano e a distinção do Jogador do Ano foram definidos a partir das escolhas dos capitães de todas as equipas que participaram na última edição da zona sul da 2.ª Divisão Distrital, que tinham como única regra não poderem escolher atletas da sua própria equipa. As votações podem ser consultadas na galeria em baixo.

23 de Maio de 2020
Rui Santos
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