Campeonato de Esperanças, uma ideia com futuro que precisa de ganhar dimensão

Chegados à maioridade, os jovens futebolistas veem-se numa posição desafiante. Com o aumento da autonomia, a sua vida ganha novos desafios, sendo que muitos procuram conjugá-los com o futebol. No entanto, a vontade em prosseguirem as carreiras esbarra, por vezes, na falta de oportunidades, o que leva, em diversos casos, ao abandono precoce da modalidade. Atenta ao fenómeno, a Associação de Futebol de Aveiro (AFA) decidiu criar um Campeonato de Esperanças, que teve a sua primeira edição na última temporada. Se a relevância da ideia parece ser inquestionável, também é consensual que o projeto tem de ganhar dimensão para se tornar mais apelativo.

A edição de estreia da prova de Sub-22 foi conquistada pela AD Taboeira, um dos clubes que “participaram pela primeira vez num campeonato de seniores, o que permitiu outra visibilidade aos seus jogadores”, lembra José Neves Coelho, vice-presidente da AFA. Esse é um dos pontos positivos daquela que considera ter sido “uma experiência extremamente positiva”, por “permitir aos jovens, que eventualmente poderiam não ser chamados a jogar, praticarem futebol”. Isso teve reflexo nos próprios números da AFA, que registou “um acréscimo ao nível de inscrições no futebol sénior, o que já não acontecia há algumas épocas”. “Isso demonstra que a aposta foi acertada”, defende o dirigente.

Só que nunca há bela sem senão, e no caso do Campeonato de Esperanças o “calcanhar de Aquiles”, como o apelidou José Neves Coelho, foi o número de equipas inscritas na prova, apenas seis. “Esperávamos mais algumas”, admite o vice-presidente da AFA. AD Taboeira, Fiães SC, GDR Soutelo, AA Avanca, CD Loureiro e ARD Vilamaiorense foram os pioneiros numa prova “muito importante para a transição dos atletas para o futebol sénior”, sustenta Bruno Dias, coordenador da AA Avanca, “uma das equipas impulsionadoras desta prova”, sublinha. “Chegados ao patamar sénior, há atletas preparados e outros que, embora tenham qualidade, precisam de uma preparação prévia. Daí o campeonato Sub-22 ser extremamente importante”, explica o responsável, que lamenta apenas que a ideia “não teve a adesão esperada, principalmente das equipas de referência do distrito”.

Os seis clubes que participaram no Campeonato de Esperanças disputaram uma competição cuja calendarização acabou condicionada pelas desistências de SC Alba e CD Arrifanense. “Sentimos algumas dificuldades em termos de motivação dos atletas por causa das caraterísticas do campeonato”, confessa Bruno Dias, algo que a AFA que inverter no futuro. “Vamos continuar a apostar forte neste campeonato, que permite que os jovens se possam mostrar. Vai ser um crescimento lento, até pela situação que vivemos neste momento, que veio travar um bocadinho o elã que estava criado. Isso pode vir a ser um obstáculo, mas temos procurado cativar o interesse dos clubes, alicerçando vantagens para os mesmos e possibilitando que eles se inscrevam sem que isso provoque grandes danos no aspeto financeiro”, explica José Neves Coelho, que acredita que o Campeonato de Esperanças “pode vir a ser a quinta dos clubes do Campeonato SABSEG, no qual podem colher os frutos necessários para poderem dar continuidade aos jogadores formados localmente, algo que é exigido pela própria FPF”.

FC Cesarense vai apostar nos Sub-22
Um desses casos é o do FC Cesarense, que avançou para a criação de uma equipa Sub-22 com dois objetivos em mente. “O primeiro passa por reforçar a forte aposta que o clube está a fazer na formação, ou seja, no aproveitamento do trabalho feito nos escalões de formação para a equipa sénior. O segundo passa por cumprir com o plano de transição no processo de certificação do clube enquanto entidade formadora”, refere Pedro Ferreira, coordenador do departamento de formação do emblema de Cesar, que também ficará encarregue de orientar os Sub-22 na próxima edição do Campeonato de Esperanças.

Para si, a recém-criada equipa “possibilita uma mais adequada transição do futebol de formação para o futebol sénior, que é sempre difícil e é onde se perdem muitos atletas”. O plantel será composto por um lote de atletas fixos, “essencialmente formados no clube ou da freguesia de Cesar”, aos quais se juntam os seniores de primeiro ano no plantel principal, “no caso de passarem por algumas dificuldades numa etapa inicial”, e alguns juniores.

“A retenção dos atletas é fundamental”, sublinha Pedro Ferreira, que vê na equipa de Sub-22 um meio para os jovens “poderem continuar o seu processo de formação e, mais tarde, quem sabe, subirem ao plantel principal”. Para tornar o processo mais eficaz, o técnico concorda que é importante “haver mais equipas” na próxima edição da prova, a qual, defende, tem um modelo competitivo “adequado”. “Possibilita que atletas de primeiro ou segundo ano de seniores, ou até juniores, possam integrar as fichas de jogo e, assim, ter uma adaptação ao futebol sénior”.

Em Avanca, o trabalho iniciado na temporada passada já começa a dar frutos. Na próxima época, “dois ou três atletas” que disputaram o último Campeonato de Esperanças vão integrar a equipa sénior, adianta Bruno Dias. Este facto confirma a perceção de José Neves Coelho de que “algumas equipas dos nossos campeonatos” seniores têm acompanhado a evolução das Esperanças aveirenses. “Isso demonstra que os miúdos que saem dos juniores podem ter lugar nas equipas principais, mas é importante dar-lhes espaço para jogar. No futuro, esta será uma fonte de prospeção para os clubes”, antevê.

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24 de Maio de 2020
Rui Santos
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