A terapia do SC Espinho que lhe vale o estatuto de segunda defesa menos batida do Campeonato de Portugal

De um plantel em que remanesceram apenas seis atletas da época passada, o SC Espinho viu-se obrigado a encontrar uma nova fórmula que fizesse jus ao registo defensivo da temporada 2018/2019. Os 'tigres' foram ao divã e a terapia do técnico João Ferreira deu frutos, fazendo da equipa a defesa menos batida da Série B do Campeonato de Portugal, com 17 golos consentidos. É o segundo melhor registo de toda a competição, apenas atrás do Real SC, da Série D, com 16.

À 25.ª jornada da época passada, os alvinegros tinham 16 golos sofridos, menos um do que na atual temporada. Para João Ferreira, o fator psicológico foi o mais preponderante para que o setor defensivo da sua equipa começasse a acertar, até porque o “peso” da camisola ainda era um pouco desconhecido para alguns jogadores.

“O Diogo Valente, habituado a palcos como o da 1.ª Liga, em determinadas alturas, estranhou aquilo que se vivia fora do relvado. Jogar no Espinho não é fácil, porque há uma massa adepta muito exigente e, como o nosso início não foi linear, levou algum tempo até ultrapassarmos a barreira psicológica criada quando se ouviram alguns assobios”, explica o técnico, que, após identificar o que perturbava a equipa, promoveu o crescimento coletivo. “À medida que combatíamos, fomos crescendo e a equipa ficou mais conhecedora de si própria. Com o trabalho que fomos fazendo, juntando a qualidade individual, quer na defesa, quer em todos os setores, fomos melhorando as nossas performances”, admite.

Do papel para o relvado
Se a terapia começou a dar resultados, também a interpretação do jogo por parte do plantel foi significativa, ao ponto de ajudar a equilibrar os índices de confiança dos jogadores. João Ferreira assume que tem ao seu dispor um grupo determinado em mandar no jogo, envolvendo os adversários em processos que complicam o seu poder de resposta. A tática começou a funcionar com uma margem de erro mínima.

“A nossa forma de atacar também condiciona a forma como os adversários nos atacam, porque nós tentamos envolver um número interessante de jogadores no processo ofensivo. Isso obriga o adversário a colocar bastantes jogadores no seu processo defensivo, o que leva a que, quando ganham a bola, tenham poucos jogadores disponíveis para atacar”, explica, exortando a “capacidade da equipa em responder à perda da bola”. “Conseguimos colocar homens suficientes entre a bola e a baliza, e conseguimos fazê-lo mais rápido do que o adversário. Depois, na organização ofensiva, o adversário tem que ser muito competente para chegar à nossa baliza”, esclarece.

Além da estratégia, o técnico viu-se obrigado a ajustar alguns comportamentos nas situações de bola parada, tendo sido a partir daí que a equipa se catapultou para o seu melhor registo defensivo. “O nosso período crítico foi quando sofremos golos de bola parada em alguns jogos. Foi dessa forma que nos conseguiram marcar mais golos. Fomos fazendo ajustes, que resultaram na nossa regularidade defensiva”, afirma, defendendo que o facto de promover poucas alterações na linha defensiva foi determinante para a equipa alcançar a marcar dos 17 golos sofridos.

“O Gonçalo, lateral esquerdo, é o jogador do plantel com mais minutos. Depois temos o João Pinto, central, que cumpriu um jogo de castigo e esteve em todos os restantes jogos. O Amadeu, também central, não jogou em dois jogos por opção e o Mica, do lado direito, teve apenas um jogo de fora, a cumprir castigo”, recorda o técnico.

O renascer da última barreira
O último homem na linha defensiva dos 'tigres' é Kadu, guarda-redes que se estreia esta época no SC Espinho, aonde chegou proveniente da UD Oliveirense. Após recuperar de uma lesão grave, que o importunou na temporada passada, o jogador estreou-se pelos espinhenses em setembro, pouco depois do início do campeonato, e valoriza o registo alcançado pela equipa, após um início irregular.

“Se estamos a dois pontos do playoff é porque estamos a fazer uma excelente segunda volta. Julgo que o segredo para isso foi a entreajuda e o compromisso dos jogadores. Temos sido uma verdadeira equipa e isso tem feito a diferença, tanto na defesa como no ataque”, salienta, ele que se sente na forma ideal. “Ter vindo para o Espinho foi como renascer depois da lesão. Estou grato por isso, porque as pessoas também me acolheram muito bem, deram-me oportunidades e os treinadores têm confiança no meu trabalho”, conclui.

Fotografia
Sporting Clube de Espinho

24 de Março de 2020
Vítor Hugo Carmo
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