Sem títulos distritais, por Aveiro fez-se a festa pelos novos campeões nacionais

A temporada 2019/2020 terminou sem a atribuição do título de campeão distrital, no futebol e no futsal, culpa de uma pandemia que nos continua a atormentar e que levou a Associação de Futebol de Aveiro (AFA) a dar por concluídas, em março, todas as provas por si organizadas. Contudo, o distrito não ficou órfão de campeões. Da Liga NOS ao Pireu, em Atenas, são vários os exemplos que orgulharam Aveiro.

A Covid-19 levou ao final prematuro de todas as competições oficiais do futebol nacional, à exceção da Liga NOS e da Taça de Portugal. No entanto, países houve que decidiram, pura e simplesmente, terminar todas as provas, como a Bélgica ou a Holanda. Em França, o campeonato foi dado como concluído em abril, tendo apenas se jogado as finais da Taça e da Taça da Liga. No polo oposto temos a Bielorrússia, que não adotou qualquer medida restritiva devido à pandemia, a qual foi relativizada desde o início pelo presidente do país, Aleksandr Lukashenko.

Voltando ao futebol, após um período de paragem, os campeonatos profissionais foram retomando um pouco por toda a Europa. Por cá, só a Liga NOS e a Taça de Portugal receberam luz verde para serem concluídas. O FC Porto venceu ambas, tendo no plantel vários craques aveirenses. Sérgio Oliveira e Wilson Manafá foram os mais utilizados por Sérgio Conceição ao longo da época, mas a lista de campeões nacionais naturais de Aveiro é bem mais vasta, e inclui os nomes de Fábio Vieira, João Mário e Bruno Costa, que passou a primeira metade da época no Dragão.

O comboio da glória tem nova paragem em Atenas, capital da Grécia, onde Pedro Martins conduziu o Olympiacos ao título de campeão, destronando o PAOK, que havia vencido a edição anterior da competição. Na equipa técnica do treinador, natural de Santa Maria da Feira, encontram-se, igualmente, vários colaboradores aveirenses, casos de António Henriques, Rui Pedro e Luís Lobo.

Na Bulgária, o fisioterapeuta Marco Alves, natural de Vale de Cambra, celebrou mais um título de campeão com o Ludogorets, o nono consecutivo do clube de Razgrad. Por fim, na Polónia, André Martins, nascido em Argoncilhe há 30 anos, ajudou o Legia de Varsóvia a conquistar o campeonato local pela 14.ª vez no seu historial.

Um ano atípico, mas não inédito
Os títulos conquistados por jogadores e treinadores naturais de Aveiro dão cor a um ano difícil, que ficará recordado por uma pandemia que obrigou ao cancelamento da temporada desportiva, por parte da AFA. Isso levou a que não houvesse atribuição do título de campeão nas competições distritais, à exceção do Campeonato de Esperanças, ganho pela AD Taboeira, e do Campeonato e da Taça distrital de futsal feminino, conquistadas pelo GD Gafanha, provas que terminaram antes da interrupção das competições, em meados de março.

Se, no futsal, não há registo de uma temporada sem atribuição do título de campeão distrital, no futebol tal já sucedeu, ainda que com contornos bem distintos dos atuais. Há 33 anos, a zona norte da 1.ª Divisão Distrital foi disputada por CD Paços de Brandão e AD Sanjoanense ao… golo. As duas equipas chegaram à última jornada igualadas em pontos (87) e no confronto direto, sendo a diferença de golos o critério de desempate que se seguia. A 4 de maio de 1987, os sanjoanenses defrontavam o Bustelo e os brandoenses jogavam com o CD Tarei, clube que, durante a semana que antecedeu a partida, procurou alertar a AFA de “pressões” dos dois clubes que lutavam pela subida, chegando mesmo a sugerir o adiamento do encontro.

O calendário seguiu o seu rumo normal, mas os receios dos responsáveis do CD Tarei não eram de todo infundados. Ambos os jogos arrancaram com um atraso significativo, tiveram várias peripécias e terminaram exatamente com o mesmo resultado: 32-0! O volume do placard fez acionar os alarmes da AFA, que foi célere em desclassificar e fazer relegar os clubes envolvidos à 2.ª Divisão Distrital (os jogadores das duas equipas e o CD Tarei acabaram por ser absolvidos posteriormente), assim como o FC Cortegaça, pela derrota diante da AD Sanjoanense na penúltima jornada. Como consequência direta da decisão, não foi atribuído o título de campeão distrital nessa temporada, tendo a AFA indicado a JA Pessegueirense e o SC Esmoriz para subirem aos campeonatos nacionais.

A história é contada no livro AFA-A caminho dos 100 anos, no qual é ainda aventada uma hipótese para explicar como é que as equipas sabiam do resultado nos dois estádios ao minuto. Gilberto Madaíl, que presidia à direção da AFA quando o caso ocorreu, acredita que houve alguma “conivência da GNR”, pela comunicação do resultado através do canal de rádio usado pelas forças policiais, versão que foi igualmente publicada no Jornal de Notícias.

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15 de Agosto de 2020
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