"Se um jogador chamado Biclas não fizer um golo de bicicleta…"

O nome diz tudo. Biclas foi a figura da 14.ª jornada do Campeonato SABSEG, culpa do pontapé de bicicleta que abriu caminho ao triunfo do Mansores diante do Vista Alegre, por 2-0. “Está aí o verdadeiro Biclas”, graceja o jovem médio, de 22 anos, que se diz apaixonado pelo clube que representa.

António Tavares nem sempre foi o Biclas. Na manhã de um dia de Natal, na flor da adolescência, decidiu ir dar um passeio de bicicleta com os primos. “Caí, levei seis pontos num joelho e um primo meu começou a gozar comigo. Disse que eu era o Tono Biclas, e ficou”, conta, entre sorrisos, ele que não levou a mal a brincadeira. “Vivo num sítio em que toda a gente tem um nome diferente, e fiquei o Biclas”, remata.

No último domingo fez jus ao nome, ao marcar um golo que vai correndo o mundo. “Se um jogador chamado Biclas não fizer um golo de bicicleta… É uma coisa que não se explica. Estava de costas para a baliza, e a minha intenção era meter a bola lá dentro. Foi como deu”, conta, enquanto confessa que pratica o gesto com alguma regularidade. “Já tinha marcado um golo assim quando era mais novo, na Aveiro Cup. Mesmo nos treinos, muitas vezes lá sai a bicicleta. Felizmente, acabou por sair num jogo oficial, o que, para mim, foi ótimo”.

A vitória diante do Vista Alegre deixou o Mansores na 8.ª posição do Campeonato SABSEG, um registo de relevo para uma equipa promovida na temporada passada à elite aveirense. “No início da época, éramos vistos como uma equipa que não tinha grandes hipóteses, mas entrámos bem e as coisas começaram a sair”. Para isso em muito contribuiu o espírito vivido no seio do grupo, que foi capaz de enquadrar “tanto a malta da Colômbia como os jogadores que vieram de outros clubes”.

“Queremos garantir a manutenção o mais rápido possível”, assume Biclas, que ao longo da juventude representou o Centro Juvenil Salesiano de Arouca, o Feirense, o Boavista e o Arouca. Nos arouquenses reencontrou a felicidade em jogar futebol, mas foi pelo Mansores que se apaixonou. “É o clube do meu coração”, admite o jovem, que concluiu recentemente o curso de Contabilidade.

Com o futuro pela frente, Biclas admite que já teve uma ilusão maior no futebol, “mas o bichinho puxa-nos sempre para acreditarmos”. Se continuar a fazer obras de arte como a do passado domingo, a ilusão pode ganhar contornos mais definidos.

28 de Dezembro de 2018
Rui Santos
[email protected]
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