O "privilégio" de Gonçalo Rufo nos tempos difíceis da formação em Portugal

Aos 15 anos, Gonçalo Rufo deveria estar a disputar o Campeonato Nacional de juvenis pelo SC Beira-Mar. Deveria, mas não está, devido a uma pandemia que paralisou o desporto juvenil há praticamente um ano. Sem previsão para o regresso, o jovem juntou-se aos seniores do GRC Telhadela, o clube da terra de onde é natural, pelo qual se estreou, na semana passada, no Campeonato Grande Hotel de Luso, logo com “bis”. “Sinto-me privilegiado, visto que os meus colegas não estão a competir”, admite Gonçalo, que lamenta estarem-se “a perder anos de competição e de formação, que são sempre importantes”.

Sem competir desde março do ano passado, Gonçalo Rufo fazia parte dos cerca de 122 mil jovens a viver um ano sabático no futebol e no futsal nacional, por imposição do Governo. “A formação é o mais importante num jogador”, salienta, acreditando que a situação atual “vai ter um impacto muito direto” naquilo que será a formação desportiva nos tempos vindouros.

Resignado às evidências, o fixo/ala viu abrir-se, quase por acaso, uma via para voltar às “quadras”. O GRC Telhadela estava atento ao seu talento e convidou-o a treinar com o plantel sénior, que disputa o Campeonato Grande Hotel de Luso. “Fui bem recebido. Eles apoiaram-me muito na mudança. Nos primeiros tempos, foram-me motivando”, conta. Daí ao aval do treinador, Paulo Pereira, foi um pequeno pulo, que obrigou o jovem, de 15 anos, a submeter-se a exames físicos que aferissem da sua capacidade em saltar dois escalões de uma assentada, diretamente para os seniores.

A mudança sentiu-se, sobretudo, a nível físico. “O ritmo é maior, mais intenso, assim como a agressividade”, salienta, mas “a nível tático a diferença não foi tanta quanto isso”. Isso ficou vincado no jogo de estreia, diante do Arada AC, disputado a meio da última semana, poucos dias antes de ter sido decretada nova paragem do campeonato. Gonçalo Rufo marcou dois dos três golos do GRC Telhadela, “um sentimento enorme” a nível individual, que acabou atenuado pela derrota averbada (4-3). “Entrámos nervosos, eu incluído. Começámos a perder, mas quando fizemos o primeiro golo abrimo-nos mais. Entrámos melhor na segunda parte, fizemos dois golos, mas acabámos por sofrer o empate em 5 para 4 e, depois, o golo da derrota”, resume.

Antes e durante o encontro, os companheiros de equipa pediam-lhe para “jogar o que sabia” e para confiar em si, desafios com os quais Gonçalo soube lidar. Quanto aos colegas com quem partilhava o balneário nos juvenis no SC Beira-Mar, vão apoiando-no nesta nova fase da sua vida, mas o jovem não perde o foco: “Vou dizendo-lhes que está a correr tudo bem, mas quando isto tudo acabar voltarei”.

É que “a formação é o mais importante num jogador”, e no caso de Gonçalo ainda lhe restam cinco anos até chegar a sénior, todos eles importantes, uma vez que “há sempre algo a aprender” durante o processo.

Fã de Fernando Cardinal e Alex Merlim, “pela maneira como trabalham e como jogam”, Gonçalo Rufo estuda Ciências e Tecnologia, com o intuito de prosseguir a sua formação na área do Desporto ou da Fisioterapia. Na escola, garante cumprir “aquilo que recomendam”, antes e depois de passar a porta de entrada. “Dividimos a turma em dois grupos e só vamos ao intervalo por turnos, para não haver ajuntamentos. Tentamos manter a distância, e os funcionários desinfetam as salas”, enumera.

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21 de Janeiro de 2021
Rui Santos
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