No desporto popular aguarda-se pelas instâncias superiores para decidir o que fazer com o resto da época

De que forma será concluída a temporada 2019/2020? A dúvida continua a pairar nas mentes dos amantes do desporto e, sobretudo, dos dirigentes que estão responsáveis por encontrar uma solução equilibrada para um problema que se afigura complicado de resolver. Nas competições de desporto popular do distrito, a situação não é diferente, sendo que todas esperam por perceber de que forma a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Associação de Futebol de Aveiro (AFA) vão encarar a situação para poderem traçar cenários mais sólidos.

Das quatro provas amadoras homologadas pela FPF e pela AFA, o futebol popular de Espinho será, à partida, a mais complexa, uma vez que os seus quadros competitivos contam com duas divisões, o que leva à existência de subidas e despromoções. “A maioria dos clubes não demonstra grande vontade de que a época termine da forma que está”, admite Tiago Paiva, presidente da Associação do Futebol Popular do Concelho de Espinho (AFPCE), mas, por outro lado, “todos têm sido sensíveis à ideia de que primeiro está a saúde e só depois o desporto e a competição”.

Salientando que existe alguma “margem de manobra” no que toca ao ‘timing’ para se retomarem os campeonatos, o dirigente aponta “até ao início de junho” como o limite razoável para que a atual temporada possa terminar sem sobressaltos, até porque a nova época só se inicia em outubro. “Se isto durar até julho ou agosto, provavelmente não teremos condições de terminar as competições e teremos de seguir as diretrizes da FPF e da AFA. Mas, caso seja esse o cenário, teremos sempre de reunir com os nossos associados para ver qual será a melhor solução, porque são eles que decidem”.

Tiago Paiva explica que a AFPCE continua em contacto permanente com a Câmara Municipal de Espinho, “que recentemente aprovou medidas de apoio às associações”, e com a Proteção Civil “no sentido de perceber o ponto real da situação”. Até novas ordens, os campeonatos da AFPCE estão parados até 9 de abril, um prazo que deverá ser alargado em breve. “Queremos perceber a perspetiva do Governo, da FPF e da AFA para, juntamente com a Câmara, compreendermos quais vão ser as diretrizes para os próximos tempos”, conclui o presidente.

Esta é, também, a visão da Fundação Inatel, que decidiu, esta semana, alargar a suspensão das suas competições de futebol até ao dia 30 de abril. “O reagendamento das atividades será articulado em função de análise posterior, salvaguardando prioritariamente o bem maior que é a saúde pública”, pode ler-se numa nota publicada pela instituição, na qual ressalva que “as pessoas e instituições envolvidas nas atividades têm aceitado bem estas medidas, estando todos empenhados em atuar no melhor interesse da sociedade”.

Esta é uma competição com um certo grau de complexidade, uma vez que, numa fase posterior, agrega representantes de todas as fases distritais, que discutem entre si o título de campeão nacional. Em Aveiro, aquando da suspensão da atividade, caminhava-se para o fim dos Grupos A e B, cujos vencedores iriam representar o distrito na fase nacional do campeonato Inatel.

Há vontade de jogar mas impera a prudência
Em Ovar, José Rodrigues, presidente da Associação de Futebol Popular do Município de Ovar, lembra os constrangimentos resultantes da cerca sanitária que fecha aquele concelho desde meados de março, devido à rápida propagação do novo coronavírus, a qual tem dificultado a ação dos dirigentes. “Os clubes têm um bocado de receio e a situação não está fácil. Brevemente, vamos começar a falar com eles sobre a melhor solução a tomar”, explica.

O dirigente confessa que pretende “encontrar o campeão e os vencedores das taças”, no caso a Taça Cidade de Esmoriz e a Taça Solange Soares, “mas, primeiro, queremos ver como é que a AFA irá ponderar sobre isso, para podermos trabalhar”.

Essa intenção é partilhada por Armando Tavares, responsável pela Liga Census, competição de futsal que agrega onze clubes. “Estamos à espera da decisão da AFA”, explica o dirigente, garantindo que “ainda não existe nenhuma decisão oficial, porque ainda é prematuro”. No entanto, admite que, “se até finais de maio não for possível competir”, terão de ser encontradas vias alternativas para se concluir a temporada.

Como a Taça da Liga Census já vai nas meias-finais, uma das prioridades passa por concluí-la, uma vez que “não seria muito problemático” disputar os jogos em falta “num curto espaço de tempo”. Quanto ao campeonato, uma vez que ele não comporta descidas de divisão e que o 1.º classificado, a ADF Fiães, segue destacado na liderança da prova, existe a expetativa de que, caso ele não possa ser retomado, seja possível encontrar-se uma solução célere para o seu desfecho.

4 de Abril de 2020
Rui Santos
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