Luís Miguel Matos: o universal que “passeou” o seu talento pelo mundo e que está de regresso às origens

Aos 17 anos já sabia o que era jogar ao mais alto nível, quando se estreou na 1.ª Divisão Nacional com a camisola do Modicus, sob o comando do "mister" Luís Almeida. Esse é só um dos vários feitos de Luís Miguel Matos no futsal, que a oriente e a ocidente viveu uma aventura na esfera da modalidade. É um universal num mundo de talento, que começou a jogar na ARCA e regressou às origens para “tentar conquistar um título” pelo clube da terra.

Na 8.ª jornada do Campeonato Grande Hotel de Luso, Luís Miguel Matos somou mais dois golos à sua conta e ajudou ao triunfo da ARCA sobre a ADREP por 3-2, um resultado que permite à sua equipa partilhar a liderança da zona Sul com o GD Beira-Ria. O universal regressou ao clube da terra na época passada e admite que essa foi uma decisão sentimental, pois ambiciona conquistar “pelo menos um título” pela formação de Águeda. “Espero que ainda demore muito tempo até deixar de jogar, até porque voltei ao clube onde comecei a jogar para tentar conseguir algumas conquistas. Abdiquei de outros desafios para estar com pessoas de quem gosto, da minha terra e do meu clube, e recuperei grande parte da alegria de jogar”, explica.

O jogador deixou a ARCA aos 17 anos, clube onde fez toda a sua formação e onde tinha acabado de conquistar o triplete distrital. “Não podia dizer que não” ao desafio lançado pelo técnico Luís Almeida e em pouco tempo estava a estrear-se na 1.ª Divisão Nacional. “O Luís Almeida acreditou em mim. Aquele foi um período realmente importante, durante o qual cresci e aprendi com muitos jogadores, num dos melhores clubes de Portugal”, recorda.



Depois de oito anos na formação de Sandim, Luís Miguel Matos embarcou numa aventura até oriente, para jogar no Zhuhai Ming Shi, da China. “Os primeiros tempos não foram fáceis”, mas o jogador acabou por se adaptar, lembrando que a companhia de alguns colegas foi preponderante para conseguir abraçar “um estilo de vida diferente”. “Estive lá cinco anos. No início, passei alguns sacrifícios, mas depois habituei-me, porque também contei com a ajuda do Emerson, que é como um irmão para mim, e que agora joga no Futsal Azeméis. Mas também foi fantástico partilhar todas as aventuras com o Mancuso, que jogou no Benfica, e o Murilo, que tinha chegado do Brasil”, conta.

“Surpreendentemente, fiquei a gostar muito da China. Lá, eles dão condições aos jogadores que nem os clubes da 1.ª Divisão portuguesa são capazes de dar”, revela.

As passagens por França e Itália até ao regresso às origens
Luís Miguel Matos admite que “foi importante começar a ser profissional no futsal” e abraçou novo desafio, desta vez rumo a França, de novo na companhia de Emerson Ribeiro. “Fomos para o Sporting de Paris e chegámos a tempo de disputar o playoff de apuramento de campeão. Conquistámos o título e pouco depois já estávamos em Itália”, afirma.

O jogador alinhou pelo Virtus San Michele, no que diz ter sido “um projeto engraçado num clube de aldeia”. “Não estávamos à espera de encontrar uma terra tão pataca com uma equipa de futsal tão forte. Ajudámos o clube a crescer, fizemos bons amigos e ainda fomos campeões da Serie A”, salienta.

O universal acabou por regressar a Portugal para jogar no Futsal Azeméis by Noxae, um clube que “dá tudo” o que o jogador precisava.  “Também foi especial porque, logo na minha primeira época, o clube conseguiu alcançar os seus objetivos, garantindo a manutenção na 1.ª Divisão Nacional”, admite, ele que acabou por voltar a jogar pelo Modicus, desta feita com mais dificuldades para manter o ritmo competitivo. “Foi difícil conciliar o trabalho com o futsal. Vivia em Águeda e trabalhava em Mira. Tinha de fazer mais de 200 quilómetros para ir treinar. Foi desgastante e tive de optar por abraçar outro projeto”, revela.



Luís Miguel Matos ainda vestiu a camisola do CCDR Covão do Lobo numa época “fantástica e em que o clube alcançou um feito extraordinário”. “Conseguiu, pela primeira vez, chegar à fase de acesso à 1.ª Divisão Nacional. Foi algo que ficou na história daquele clube”, conta, ele que acabou por voltar à ARCA, numa altura em que tentava debelar uma lesão. “Provavelmente, é lá que acabo a carreira. A verdade é que quando voltei não joguei tanto quanto queria porque estava a recuperar de uma pubalgia. Agora sinto-me bem no meu clube e com capacidades para jogar ao nível que for preciso”, garante.

O jogador assegura que é ambicioso e que quer “sempre ganhar tudo”, mas admite que a ARCA vai ter de “lutar muito” para alcançar os seus objetivos. Luís Miguel Matos confessa que “gostaria de, pelo menos, ganhar uma taça pelo clube”, de forma a sentir-se realizado ao lado dos seus amigos. “Eles aproveitam a minha experiência, mas eu também aprendo muito com eles. É bom estar de volta”, assegura.

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26 de Novembro de 2020
Vítor Hugo Carmo
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