João Reis: "O futebol faz muita falta"

“O futebol faz muita falta”. Numa simples frase, João Reis, guarda-redes do CD Paços de Brandão, desabafa aquilo que lhe vai na alma, uma mistura de preocupação com angústia, que se prolonga desde que o país parou por causa da Covid-19.

Bom, parar é uma expressão exagerada, até para o jogador da ‘Briosa’, que continua a trabalhar num armazém de materiais de cerâmica e móveis de casa de banho, em São João de Ver, no concelho de Santa Maria da Feira. “Esta semana, até vou ficar em casa, mas a empresa não fechou”, diz, ele que admite um certo “receio” neste período de pandemia, apesar das “muitas precauções” que garante ter ao longo de cada dia.

“Desde que isto chegou, há sempre receio em tudo o que fazemos, seja no trabalho ou nas compras, por exemplo. Desconfiamos sempre um bocadinho de todos, mesmo dos nossos mais próximos. Temos sempre receio que isto nos atinja”, o que o levou a adotar uma rotina de “casa, trabalho, casa” para diminuir o risco de contágio.

No entanto, e mesmo que se tente entreter com “uns joguitos” improvisados nas horas vagas, de quando em vez lá vem a “saturação” de um quotidiano bem diferente daquele a que estava habituado. “Antigamente, planeava o dia a pensar no treino ou em ir mais cedo para ir fazer tratamento ou ginásio. Ao domingo, então, nem se fala”, atira, nostálgico. São as “muitas saudades” do futebol, da “adrenalina, do nervosismo e da ansiedade” de cada jogo, colocadas em suspenso por uma pandemia global.

Apesar de isolado, João Reis mantém o contacto com os companheiros de equipa do CD Paços de Brandão, “até pela preocupação que temos uns pelos outros”. O seu desejo é que “isto passe o mais depressa possível, para tudo voltar à normalidade”. “Não só no futebol, mas também na economia. O importante é que o país volte à normalidade”, remata.

Fotografia
Direitos Reservados

7 de Abril de 2020
Rui Santos
[email protected]
Notícias Relacionadas
Categorias
Tags
Twitter
Facebook
Notícias Mais Lidas