“Já merecíamos um jogo com este grau de expressão”

Depois de um ano de estreia no Campeonato Grande Hotel de Luso que deixou muita gente de boca aberta de espanto, o Barcouço teve de esperar pela 5.ª jornada da atual edição da prova para se estrear a pontuar. Uma pré-época atribulada e as muitas mexidas no plantel ajudam a explicar o hiato de resultados positivos, que foi interrompido com um triunfo diante do até então líder do campeonato, o Beira-Ria. “Já merecíamos um jogo com este grau de expressão”, aponta José Trancho, autor de dois golos na vitória por 5-3.

Se há alguém capaz de explicar a ascensão do Barcouço nas competições da AFA é este ala/pivot, de 26 anos, que fez parte da primeira de futsal do clube. “Íamos para os jogos com a intenção de dar o nosso melhor, mas sabíamos que era sempre muito difícil”, recorda, sublinhando que, naquela altura, os azuis ainda eram “um clube em construção”.

Com o passar dos anos, o Barcouço foi crescendo e os resultados, que iam melhorando progressivamente, davam expressão a essa evolução. Pelo meio, José Trancho ainda experimentou o futebol, no Carqueijo, mas acabaria por regressar a Barcouço há duas épocas, no ano em que o clube se sagrou campeão da 2.ª Divisão Distrital. “É um orgulho tremendo”, assume, enquanto se aproxima do presente.

A temporada passada, a primeira do clube entre os grandes do distrito, foi de inegável sucesso, tal como o comprova o 5.º lugar alcançado. Os feitos desportivos levaram a que “alguns jogadores, por mérito próprio, tenham saído para outros campeonatos”, obrigando a uma reformulação profunda do plantel. O próprio José Trancho ponderou deixar o clube. “Tenho um problema nas costas e, como a época que findou não tinha corrido bem a nível pessoal, não me sentia encorajado a continuar”, mas o apelo feito pelo presidente do clube para que regressasse ao ativo levou-o a reconsiderar.

Se juntarmos a isso uma pré-temporada atribulada, com uma troca de treinador pelo meio ainda antes do campeonato ter arrancado, o horizonte do Barcouço deixava antever problemas na fase inicial da temporada. “Foi difícil restabelecer o nosso espírito e união. Entretanto, voltaram alguns jogadores e as coisas têm melhorado”, como a recente vitória diante do Beira-Ria, até aqui líder do Campeonato Grande Hotel de Luso, o comprova. “Tínhamos de ganhar para darmos aquele clique”, acredita José Trancho, que vê no plantel do emblema da Mealhada “alguns dos melhores jogadores do campeonato”. “Só que estava a faltar-nos um bocado de sorte”, completa.

Estudante de Engenharia Eletromecânica, José Trancho é um jovem multifacetado, que ocupa o seu tempo de diversas formas. Para lá do futsal, produz vinho, um hobby que partilha com o irmão, Emanuel, e toca trompa na Banda de Barcouço. “Cheguei ao 5.º ano do conservatório, mas depois tive de escolher entre a bola e a música”. Não é necessário pensar muito para perceber qual foi a sua escolha…

21 de Novembro de 2019
Rui Santos
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