De jogador explosivo a guarda-redes atrevido, a história de Diogo Matos no Travassô

A edição 2019/2020 do Campeonato Grande Hotel de Luso tem revelado vários guarda-redes com dotes de goleadores. Esta lista um tanto ou quanto peculiar é liderada por Bruno Barbosa, do Beira-Ria, que já marcou por três vezes, e conta ainda com as presenças de Daniel Simões (ARCA), autor de dois golos, ou Marco Leite (CD Cucujães), que marcou um tento salvador em cima do gongo, há duas jornadas.

No entanto, nenhum deles alcançou o feito de Diogo Matos, do Travassô, que bisou diante do Arrifanense, saiu da baliza com a bola controlada para assistir Iuri Simões para o 2-2 e viu o ‘hat-trick’, que seria inédito na carreira, ser-lhe negado pelo poste. “Tenho tentado várias vezes. Neste jogo, as coisas saíram bem e a bola entrou”, atira o guardião de 32 anos, os últimos 15 passados no clube do concelho de Águeda.

Quando chegou ao futsal, ainda júnior, Diogo Matos certamente não imaginaria vir a ser o dono das redes do Travassô. Depois dos vários anos a jogar futebol como lateral esquerdo, o então adolescente trocou as chuteiras pelas sapatilhas para defender a equipa da terra. Começou na frente, mas não se adaptou a um jogo mais cerebral, o que o levou a recuar até à baliza.

“Eu era um jogador muito explosivo mas, no futsal, temos de ter mais calma. Entretanto um treinador disse-me para ir para a baliza, habituei-me e foi até hoje”, sempre no Travassô, a única equipa que representou no futsal. “A posição de guarda-redes é muito complicada, porque temos de estar sempre concentrados”, explica Diogo, enquanto recorda os primeiros tempos entre os postes, quando “tanto fazia uma boa defesa como dava um frango”. “Mas, agora, consigo gerir melhor isso”, completa.

Nas quadras, Diogo Matos é um guardião atrevido, que não se encolhe sempre que pode aventurar-se pelo ataque. “Sempre que tenho oportunidade, tento sair com a bola”, admite, ele que diz sentir o apoio de toda a equipa nesses momentos. “Tento fazer sempre o melhor. Se não correr bem uma vez, corre na próxima”.

Frente ao Arrifanense, o guarda-redes viveu uma tarde inspirada. Começou por assistir o colega Iuri e, nos minutos finais, completou um ‘bis’. Às portas ficou um inédito ‘hat-trick’, que só não aconteceu porque o poste não deixou. No final, o balneário não deixou passar em claro a efeméride. “Os meus colegas deram-me os parabéns. Há sempre as brincadeiras de dizerem que foi sorte, mas isso é normal”, conta.

O momento interrompeu uma seca de golos, que durava há cerca de dois anos, de um jogador que dá “sempre tudo para, quando jogar, o conseguir fazer bem”. Diogo Matos quer prolongar o bom momento para ajudar o Travassô na corrida pelo título distrital. “Depois da primeira volta que fizemos, está visto que temos equipa para lutar pela subida. Se isso acontecer, ela será bem-vinda”, diz, enquanto avisa para as dificuldades que se avizinham. “Qualquer jogo é difícil. O campeonato está bastante equilibrado”.

30 de Janeiro de 2020
Rui Santos
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