Antevisão e análise ao Campeonato SABSEG por Sérgio Oliveira

A jornada
A pressão aumenta, os batimentos cardíacos disparam. As pupilas e os brônquios dilatam e aquela adrenalina prazerosa prepara as pernas para correr, para fugir. O golo é o protagonista maior do futebol e, para mim, não existem feios. Feio é não o fazer. Foram 27 os golos apontados na 13.ª jornada, um novo recorde na presente edição do Campeonato SABSEG.

Quanto aos resultados, tudo correu como expectável. Os favoritos e candidatos venceram os seus encontros, e aqueles mais aflitos viram a sua situação manter-se “apertada”. A diferença entre o trio da frente e os restantes acentuou-se nesta jornada, em que o São João de Ver, o União de Lamas e a Ovarense vencerem os respetivos jogos. Com este acelerar do passo, o pódio cavou um fosso de seis pontos para o quarto lugar, ocupado agora por Cesarense e Pampilhosa.

O grande vencedor da jornada, no entanto, foi o Estarreja, que recebeu e bateu o Alba por 2-1, num jogo com cambalhota no marcador. Nota ainda para as vitórias fora de portas do Esmoriz e da Ovarense, frente a Fiães e Cesarense, respetivamente. A turma da Barrinha provou, uma vez mais, a razão de ser uma das equipas mais temíveis a jogar fora de portas e voltou a ter em Jean Paul um jogador decisivo. Já os ‘vareiros’ surpreenderam, pelo menos a mim, não pela vitória, mas pelo resultado volumoso na difícil deslocação ao Mergulhão (0-3).

O destaque
Em termos coletivos, o destaque da jornada vai direitinho para a vitória do Estarreja frente ao Alba. Os ‘canarinhos’ até começaram pior. Logo aos 3 minutos, Lane Nhaga, pleno de oportunismo, desfez a igualdade. A necessidade de uma reação, por vezes, não é só uma questão de fazer melhor resultado (ganhar) mas, mais do que isso, sentir-se que existe uma intensidade superior. Num campeonato tão similar, para mim, é este facto que faz a diferença. A equipa de Bruno Magno Grave percebeu isso. Durante toda a partida foi mais intensa, mais dinâmica, mais solidária e foi coroada com a conquista de três pontos. A forma efusiva com que o técnico estarrejense festejou foi o espelho da ambição de todo um coletivo. Um estado de alma que se soltou e que, para mim, é a verdadeira essência do futebol. Uma vitória que não sofre qualquer contestação.

Individualmente, importa destacar Vando. Num duelo de equipas com corações tão diferentes, o São João de Ver não tinha saída: ou ganhava claramente ou perdia cruelmente. Partilho da opinião de que dentro de cada equipa existe um coração. Ela tem de o ter. Ricardo Maia só ainda não sabia que o coração, neste jogo, estava no banco. Os dois golos apontados por Vando, que deram início à 'remontada', tiveram um sabor especial para o avançado. Sei bem, por experiência própria, que não existe melhor sentimento do que ser decisivo depois do infortúnio das lesões. E Vando claramente que já o merecia. Um lutador.

A antevisão
À 14.ª jornada, não faz sentido falar em jogos decisivos. Existem, porém, jogos importantes para as aspirações de algumas equipas. É o caso da receção do Pampilhosa ao União de Lamas. Para os ‘ferroviários’ é um jogo decisivo para ainda poderem entrar na discussão da subida, sabendo que, em caso de derrota, poderá ficar a doze pontos do primeiro lugar. Por outro lado, a equipa de Ricardo Nascimento pretende continuar na senda das vitórias e não descolar do pelotão da frente.

Na insana luta pela manutenção, o Estarreja visita o Carregosense e o Cucujães desloca-se ao sul do distrito para defrontar o Gafanha. Dois jogos num claro confronto direto, em que só os três pontos interessam. No dérbi ‘vareiro’, disputado no Marques da Silva, a Ovarense parte como favorita frente a um São Vicente Pereira que me parece em crescendo. Mesmo com previsão de chuva para domingo, não tenho dúvidas de uma boa moldura humana.

13 de Dezembro de 2019