Antevisão e análise ao Campeonato SABSEG por Sérgio Oliveira

A jornada
Ao fazer a análise do Campeonato SABSEG esta semana, senti que existe uma diferença clara na abordagem ao jogo das denominadas equipas favoritas em relação às menos favoritas. Isto resume-se ao fator psicológico e motivacional que, quando incutido em pré-jogo, pode ser fundamental. No entanto, existe algo que, neste momento, não desce e que vejo de igual para igual: a intensidade. Ou seja, as equipas que podem assumir as suas limitações, inferioridade técnica e qualidade individual, colocam em campo uma agressividade competitiva sempre muito alta, que acaba por ter repercussões diretas nos resultados.

Os empates do Paivense, em Avanca, do Cucujães, em Canedo, e a vitória do Carregosense, no difícil campo do Gafanha (posso englobar a vitória do Alba em Oliveira do Bairro, embora esteja mais confortável na tabela), espelham, claramente, este ponto de vista.

O empate do União de Lamas no terreno do Cesarense poderá ter ditado (em minha opinião) o adeus à luta pela subida da equipa de Ricardo Nascimento, pois o São João de Ver conseguiu recuperar de uma desvantagem de dois golos num dos campos mais difíceis do campeonato, a casa do Bustelo, e cavou um fosso de onze pontos para os ‘lamacenses’.

Porém, e apesar da vitória da Ovarense no dérbi frente ao Esmoriz, a luta pelo segundo lugar continua totalmente em aberto e promete ser intensa até ao final. O regresso às vitórias do Pampilhosa, na visita a São Vicente Pereira, também relança os ‘ferroviários’ na corrida ao segundo lugar, o que seria, depois da eliminação da Taça de Aveiro, um mal menor face às aspirações do clube no início da época.


O destaque
Pode ter sido apenas mais uma vitória, como tantas outras, mas no futebol – como na vida – algumas têm um significado totalmente diferente. Penso nisso ao ver como os jogadores do São João de Ver voltaram a festejar uma vitória. Uma daquelas que fica para a memória num trajeto que parece condenado ao sucesso. Ao contrário da primeira volta, Miguel Oliveira esquematizou a sua equipa de forma diferente e até foi sem surpresa que conseguiu uma vantagem de dois golos. A parceria Jonathan-Rui Silva fez estragos e Ricardo Tavares (como já nos habituou) parecia incansável, desgastando a linha defensiva. O problema é que do outro lado estava uma equipa que sabia que isso podia acontecer, que sabe reconhecer o valor dos adversários e que, aliado a tudo isso, tem qualidade para virar um resultado a qualquer momento.

Quando, aos 89 minutos, Nuno Martins cometeu uma pequena “traição”, percebi que, para os jogadores do Bustelo, um ressalto já conseguia provocar um desgaste físico e mental maior que todo o jogo. A equipa de Ricardo Maia sobreviveu e passou de romântica a cruel quando Zé António matou o jogo aos 90+4 minutos. Escrevi, em tempos, que uma equipa tem coração. É obrigatório que o tenha. No jogo e no resultado, que o sentencia no fim, não, nunca teve. Porque haveria o futebol de ter um coração justo nesta tarde se já não o teve em tantas outras.


A antevisão
Diz a teoria que não há jogos iguais, mas há equipas que sonham com jogos parecidos. É o caso do Cesarense, que visita a casa do São João de Ver na passagem da 21.ª jornada. A equipa de Nélson Pinho foi a única capaz de vencer o líder até ao momento e esse feito ninguém o pode tirar. Encontrará, no entanto, uma equipa altamente moralizada (cinco vitórias consecutivas) e que pretende demonstrar que a derrota da primeira volta foi apenas um pequeno sobressalto. 

A Ovarense, de Tiago Leite, tem uma deslocação difícil ao terreno do Alba, onde está “obrigada” a vencer. Por um lado, ainda existe a expectativa de um tropeção do líder, muito embora, estou em crer, a preocupação está centrada em salvaguardar o segundo lugar,
já que, a escassos três pontos, está o União de Lamas, que recebe um São Vicente Pereira a perder fulgor nas últimas jornadas. 

Nas contas da manutenção, será igualmente uma jornada muito importante, sobretudo para Paivense, Oliveira do Bairro e Cucujães. Todos jogam contra adversários diretos e todos necessitam urgentemente de encurtar distâncias. A chave do sucesso, para mim, estará, essencialmente, na intensidade e na forma como interpretarem as diferentes fases do jogo, num momento da época em que qualquer ponto é vital.

14 de Fevereiro de 2020
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